BOLETIM DO CRIADOURO
CAVIÚNAS
NÚMERO 25
ABRIL 2008
REDATOR: Dr. JOSÉ
CARLOS PEREIRA
RUA JOAQUIM DO PRADO, 49, CRUZEIRO, SP.
TELEFAX 012
31443590
drjosecarlos2000@uol.com.br
MICOSES/ASPERGILOSE
Os fungos ou cogumelos são
geralmente representados pelos bolores e leveduras. São
conhecidos pelos franceses por champignon, palavra muito usada para
designar os fungos comestíveis. Os ingleses chamam diferentemente
levedura (yeast) e bolor (mold). E os alemães preferem Pilze ou
Hefepilze.
Na antiga e clássica
classificação de Van Thiegen eles são classificados como vegetais
arrizófitos (desprovidos de raiz) talófitos juntamente com as algas e
os liquens. São constituídos apenas por um talo, sem caule, raiz ou
folha, desprovidos de clorofila, o que, os torna incapazes de
sintetizar os próprios alimentos a partir de compostos orgânicos.
Portanto, são seres heterotróficos, incapazes de sintetizar
substâncias orgânicas de que precisam para seu sustento. Para obter
essas substâncias orgânicas tornam-se saprófitas ou parasitas de
outras plantas.
Ao microscópio os fungos
aparecem na forma redonda ou oval (leveduras) ou filamentosa de hifa
(bolor). As colônias de leveduras são regulares e as dos bolores
irregulares e flocosas. Dentre os fungos que crescem como leveduras
temos as espécies de Candida e Cryptococcus e entre os bolores as
espécies de Aspergillus, Rhizopus e os dermatofitos (determinam as
micoses superficiais da pele e seus anexos e também conhecidas por
tinhas). Fungos como o da histoplasmose, blastomicose, esporotricose,
coccidioidomicose e paracoccidioidomicose são chamados dimórficos
(duas formas), pois, são redondos nos tecidos, mas crescem como bolor
(hifa) quando cultivados à temperatua ambiente. Com exceção da C.
glabrata, as outras espécies de Candida aparecem nos tecidos como
leveduras arredondadas ou elementos tubulares chamados pseudohifas.
O estudo dos fungos ganhou
importância maior desde as investigações de Louis Pasteur sobre as
fermentações biológicas tendo como base as leveduras, chamadas por ele
de “fermentos figurados”.
Os fungos podem ser usados:
-Como enzimas na fabricação
do álcool, da cerveja, do vinho e outras bebidas alcoólicas como o
uísque, o rum, o pulqué, o taette, o kvass, o sorgho, o saquê, o gim;
na panificação e na fabricação de alguns queijos, na extração de
vitaminas, na obtenção do ácido cítrico, da glicerina, do ácido
glucônico, do ácido lático, do ácido fumárico e do ácido gálico.
-Produção de antibióticos.
-Como probióticos.
-Como alimentos ricos em
proteínas e vitaminas.
-Na fabricação de yogurts.
Na classificação botânica de
Engler e Gilg, elaborada em 1924, os cogumelos de interesse médico
compreendem os Schizophyta e os Eumycetes:
Schizophyta-Schizomycetes-Actinomycetales
Cogumelos de interesse médico
Archimycetes
Phycomycetes
Eumycetes
Basidiomycetes
Ascomycetes
Fungi Imperfecti ou Deuteromycetes
Os Eumycetes são os
cogumelos propriamente ditos. São vegetais que não possuem clorofila
e, assim, obrigatoriamente nutrem-se de restos orgânicos (saprófitas)
ou de outros seres vivos (parasitas). Os parasitas podem ser
obrigatórios ou facultativos, esses últimos somente tornam-se
patogênicos em condições favoráveis. Constituídos de um talo que, na
maioria das vezes, pode ser perfeitamente diferenciado em duas partes:
micélio (ou rhizopodium), o aparelho vegetativo, e o
encárpio, o aparelho de frutificação. O micélio, termo criado em
1805 por Trattinick, é constituído por aglomerado de células (existem
micélios unicelulares) destinado às funções vegetativas dos
cogumelos. Morfologicamente os micélios podem ser gemulantes,
conhecidos também por leveduras, constituídos por células
arredondadas, ovóides ou pouco alongadas, e filamentosos, divididos em
dois grupos: os septados, cujo segmento é chamado de hifa, e os
contínuos, cujo segmento chama-se sifon. O aparelho de
frutificação ou encárpio origina os elementos de reprodução (que pode
ser sexuada ou assexuada) chamados esporos.
Na reprodução sexuada
os filamentos se diferenciam para formar os gametângios. O
gametângio feminino chama-se oosfera e o masculino anterídeo.
Na reprodução assexuada
os esporos se formam no interior de aparelhos especiais (os
esporângios), ou originam-se de outras maneiras diversas. Os
entósporos de origem assexuada são os esporangiospóros que se
formam numa cavidade chamada esporângio. Os ectósporos são
divididos em: conídios ou conidiósporos (nascem na extremidade
miceliana), talósporos (formados por células idênticas às do
talo) e que podem ser blastósporos ou gêmulas (brotamento de
elemento pré-existente) encontrado comumente nas leveduras,
artrósporos (formados a partir de filamentos micelianos)
encontrados em leveduras, clamidósporos (também formados a
partir de filamentos micelianos), hemísporos (nascem na
extremidade do talo), aleurias ou aleuriósporos que nascem como
se fossem um depósito farinhoso ligado a um filamento, daí o nome
aleuria (farinha), picnósporos (ectósporos encerrados numa
cavidade especial).
As leveduras perfeitas
apresentam processo sexuado de reprodução e as imperfeitas somente
se reproduzem por meio de brotos ou gêmulas.
Por conta principalmente
dos esporos, os cogumelos se disseminam com grande facilidade
favorecidos pelo vento, pela água, pelo solo, pelo homem, pelos
animais, pelas sementes e pelos insetos.
Os cogumelos podem ser
aeróbios, exigindo oxigênio para a sobrevivência, e anaeróbios, os
capazes de sobreviverem em ambientes pobres em oxigênio.
Sem dúvidas, o solo
representa o grande habitat dos cogumelos.
Os exames laboratoriais
muito raramente vêem fungos crescendo no estado perfeito.
Muitos fungos patogênicos
para os humanos são saprófitas no meio ambiente. Eles causam infecções
quando esporos chegam aos pulmões ou aos seios paranasais pelo ar ou
quando hifas ou esporos são acidentalmente inoculados na córnea ou na
pele. A transmissão humano para humano ou de animais para humanos é
muito rara, a não ser com os fungos das micoses superficiais ou
tinhas.
As infecções fúngicas
somente conferem imunidade parcial contra reinfecções.
Portanto, amigos passarinheiros, um pássaro que foi acometido por
uma micose, mantidas as condições ambientais inadequadas, poderá se
infectar novamente com o mesmo fungo.
As deficiências das
imunoglobulinas (anticorpos específicos responsáveis pela imunidade
humoral) não parecem predispor a qualquer das micoses, mas neutropenia
(queda dos glóbulos brancos do grupo dos neutrófilos) é comum entre
pessoas que desenvolvem aspergilose invasiva ou candidíases profundas.
A imunidade mediada por células parece ter primordial importância em
muitas micoses profundas.
Muitos fungos podem ter os
seus gêneros ou mesmo espécies identificados, por mãos e olhos hábeis,
pelo exame microscópico direto de esfregado de material adequado e, se
for o caso, tingido por corantes especiais como o calcoflúor branco,
que permite microscopia fluorescente, corante da Índia, Gram ou
methenamina de Gomori. À exceção da Candida, mais parcimoniosa no
crescimento, os outros fungos crescem facilmente em culturas
permitindo rapidez nos exames microscópicos. Assim, as culturas em
meios adequados fornecem material para a identificação morfológica e
bioquímica rápida de muitos fungos, além de propiciar a realização de
antibiogramas para testar a sensibilidade dos fungos aos medicamentos.
Pesquisas imuno-histoquímicas podem ser feitas em fragmentos de
tecidos obtidos por biópsia ou ressecção. No soro podem ser
pesquisados anticorpos ou a fixação do complemento. As reações
intradérmicas hoje têm indicações muito limitadas.
Há vários medicamentos no
mercado para o tratamento das micoses. O tratamento local pode
ser feito com: a- Imidazóis e triazóis. São produtos sintéticos que
agem impedindo a síntese do ergosterol na parede do fungo e, no uso
local, lesam diretamente a membrana citoplasmática do parasita. Entre
eles os mais usados são o clotrimazol, econazol, cetoconazol,
sulconazol, oxiconazol, miconazol, butoconazol, tioconazol, todos
imidazóis, e o triazol terconazol; b- Antibióticos macrolídeos
poliênicos, com amplo espectro de ação contra fungos e que agem
aumentando a permeabilidade celular pela combinação com esteróis na
membrana celular do parasita. Os dois representantes maiores são a
nistatina e a anfotericina B. A nistatina, por ser muito tóxica,
somente é usada localmente e praticamente não é absorvida por via
digestiva, o que, facilita o uso na candidíase bucal. A anfotericina
B, embora também bem tóxica, pode também usada por via venosa; c-
Ciclopirox olamina, amplo espectro de ação, haloprogon (substância
fenólica halogenada), tolnaftate (um tiocarbamato), naftifina
(alilalamina, age inibindo a biosíntese do ergosterol pelo fungo),
terbinafina (alilalamina, mesmo mecanismo de ação da naftifina); d-
Ácido undecilênico, ácido benzóico, ácido salicilico (a combinação do
poder fungistático do ácido benzóico com o poder queratolítico do
ácido salicílico pode ser útil no tratamento de micoses superficiais
muito escamosas), ácido propiônico, ácido caprilico e iodeto de
potássio. Para as micoses profundas os medicamentos mais usados são:
a- Anfotericina B, um dos 200 antibióticos do grupo dos macrolídeos
poliênicos; b- Flucitosina, pirimidina fluoretada aparentada com o
fluoracil e a floxuridina, cuja ação se dá pela capacidade dos fungos
sensíveis de deaminar a flucitosina em 5-fluorouracil, potente
antimetabólito; c- Imidazóis (clotrimazol, miconazol, cetoconazol,
econazol, butoconazol, oxiconazol e sulconazol) e triazóis
(terconazol, itraconazol e fluconazol); d- Griseofulvina, age
principalmente inibindo a mitose fungal e f- Terbinafina.
O tratamento das micoses
é área dos veterinários.
ASPERGILOSE
A aspergilose é doença determinada por fungos Aspergillus, sendo os
mais importantes o Aspergillus fumigatus, o mais comum, o A. flavus, o
A. niger, o A. nidulans e o A. terreus. Entre as aves predomina o
Aspergillus fumigatus, seguido pelo A. flavus e pelo A. niger.
Esses fungos apresentam hifas septadas com de 2 a 4 milimicra de
diâmetro. Encontram-se intensamente disseminados na natureza crescendo
em folhas mortas, outras partes putrefatas das plantas, depósito de
esterco, feno e grãos estocados. Por sorte, embora a inalação dos
esporos dos Aspergilllus seja comum, a doença é relativamente rara nos
humanos.
Como acontece com outros fungos, a invasão dos órgãos, principalmente
os pulmões, está quase que restrita às pessoas com diminuição da
resistência (imunodeficientes). Nesses imunodeficientes, na maioria
das vezes, a doença aparece devido a três fatores: a queda dos
granulócitos (leucócito, glóbulo branco, caracterizado por citoplasma
granular. Distinguem-se três tipos de granulócitos: basófilos,
eosinófilos e neutrófilos) no sangue periférico, tratamento com
drogas citotóxicas e o uso dos glicocorticóides em doses superiores
àquelas fisiológicas.
Fatores que diminuem a resistência dos pássaros
aos fungos
Uso imoderado de antibióticos e
corticosteróides
Desnutrição
Superpopulação (China alada)
Baixa idade (filhotes)
Velhice
Ambiente mal ventilado
Viagens
Mudanças de ambientes
Irritantes respiratórios (fumo e produtos
de limpeza)
Outras doenças concomitantes
Didaticamente alguns autores dividem as aspergiloses em:
1- Síndromes não invasivas ou saprofíticas. Geralmente
acontecem nos animais com sistema de defesa funcionante. Os
pássaros sadios somente se tornam doentes pela exposição a um grande
número de esporos, enquanto os imunodeficientes se tornam doentes
expostos a um número menor de esporos. Os Aspergillus podem
colonizar cistos ou cavidades pulmonares preexistentes provocadas por
outras doenças como a tuberculose, blastomicose, sarcoidose e
histoplasmose formando bolas de hifas, chamadas aspergilomas,
encontradas geralmente nos lobos superiores, medindo alguns
centímetros e visíveis ao RX. Interessante que os aspergilomas não
determinam a invasão dos tecidos. Nos humanos são comuns as
rinossinusites, com a formação de secreção mucosa espessa e/ou de
aspergilomas com comprometimento ósseo variável. As otomicoses são
geralmente provocadas pelo A. niger e mais raramente pelo A. fumigatus
2- Síndromes de hipersensibilidade.
A aspiração da poeira orgânica contendo esporos dos Aspergillus pode
provoca respostas exageradas mediadas pela imunoglobulina G (IgG) e
pela imunoglobulina E (IgE). São as reações de hipersensibilidade ou
alérgicas, como a asma e a aspergilose pulmonar alérgica O sinal
principal desses quadros alérgicos é o chiado, o qual, pode ser
acompanhado por febre, tosse, roncos, falta de ar. É conhecida como
pulmão do fazendeiro ou dos trabalhadores que manuseiam o malte.
Nos pássaros os chiados da asma podem ser melhor ouvidos à noite.
3- Doenças invasivas
Como acontece com outros fungos, encontradas facilidades, como a
imunodeficiência, o Aspergillus invade o organismo. As hifas se
infiltram pelas estruturas vasculares provocando necroses e tromboses
focais. Na boca e no nariz a invasão provoca lesões crostosas,
rinorréia, sinusopatias, ulcerações e necrose do septo. Essas lesões
surgem nas infecções por A. fumigatus e flavus, mas podem surgir nas
infecções por outros fungos como Cândida e Rhizopus. O acometimento
nasal pode vir acompanhado por sangramentos e febre e a necrose da
mucosa pode provocar lesões de início brancas que evoluem para negras.
A disseminação é rápida para os seios paranasais, face e órbita. Nos
seios paranasais podem ser encontradas bolas de hifas (aspergilomas)
sem invasão tecidual e inflamação granulomatosa que pode atingir
órbitas e cérebro. Nas aves não são raras as lesões secas,
granulomatosas e destrutivas do nariz, geralmente acometendo somente
uma das narinas. Essas lesões também são encontradas no bico,
principalmente o superior, e podem atingir partes ósseas vizinhas.
Incomodada, a ave tenta remover os problemas com as unhas provocando
lesões secundárias e infecções locais. Essas lesões podem surgir
no ouvido com possíveis destruições dos ossos vizinhos e prejuízos
para a audição. O Aspergillus pode crescer no cerume e outros detritos
do ouvido externo caracterizando a otomicose. Sendo inoculados
diretamente ou chegando à pele pela via sangüínea, os Aspergillus
determinam placas dolorosas e vermelhas que podem evoluir para escaras
necróticas e/ou bolhas hemorrágicas, as quais, podem ser pontos
iniciais para a disseminação da infecção. Sem dúvida o pulmão e
as vias respiratórias são os focos mais comuns da aspergilose
invasiva; o quadro evolui muito lentamente, começando assintomático
antes de provocar tosse, febre e dificuldade respiratória. Nos
imunocomprometidos seriamente podem haver infiltrados e consolidações
pulmonares de evolução rápida. Entre as aves, tanto as criadas em
gaiolas como as de vida livre, são freqüentes os quadro respiratórios
provocados pelo Aspergillus. Existem algumas espécies de aves mais
suscetíveis, como os faisões, aves aquáticas e alguns falconídeos. São
também muito sensíveis ao Aspergillus alguns psitacídeos e os pombos.Nas
granjas a chamada pneumonia dos ninhos pode apresentar importância
econômica apreciável.
A evolução da aspergilose nos pássaros depende da sua localização. As
infecções da traquéia e da siringe costumam ser muito graves. No
siringe, a hiperceratose, como acontece com a hipovitaminose A e
outras patologias, favorece um local propício para o desenvolvimento
das colônias do fungo. Na traquéia, a turbulência do ar inspirado na
região da bifurcação faz com que esporos dos fungos sejam expelidos da
corrente aérea, o que, torna a região propícia para a colonização
fúngica. Como são regiões constitucionalmente estreitas, o material
necrótico conseqüente da infecção pode implicar em obstruções muito
graves e até mortais. Por outro lado, as infecções dos sacos aéreos
podem evoluir durante semanas ou meses e os granulomas podem se
estabelecer.
Os pássaros acometidos pela aspergilose das vias respiratórias
apresentam-se dispnéicos (falta de ar), ficam tristes e emagrecem
muito (é uma das causas do peito seco). As respiração se faz com o
bico aberto (abre e fecha o bico acompanhando o movimento
respiratório), os movimentos do esterno (carena) apresentam-se
profundos, a cauda movimenta-se de maneira pendular (tail bobs) e a
dificuldade respiratória aumenta com os exercícios. Os chiados e os
roncos durante a respiração podem ser ouvidos em ambiente silencioso
e são mais notáveis à noite.
A endoftalmite faz parte do quadro de disseminação do fungo. Dor,
fotofobia (intolerância à luz), e diminuição da acuidade visual podem
ser encontrados, mas pode evoluir sem sinais. Alguns casos apresentam
hemorragia e infecção retinianas e vitrite. O fungo pode ocasionar
celulite orbitária e invadir e destruir as paredes orbitárias. A
continuidade da invasão provoca uma série de outros sinais. Nas
aves as lesões oculares podem se manifestar por exsudato branco no
saco conjuntival. A aspergilose cerebral é rara, mas geralmente
fatal. Pode haver um único ou vários focos espalhados pelo cérebro e
cerebelo. São comuns as hemiparesias, paralisias dos nervos craniais
anteriores e convulsões. Os quadros de meningite são mais raros.
Nas aves foram descritas paresias que dificultam o pouso nos poleiros.
A marcha cambaleante foi descrita principalmente nos psitacídeos.
A aspergilose dos ossos é muito rara e geralmente representa invasão a
partir de ferida cirúrgica ou traumática ou via hematogênica. O
envolvimento das vértebras é mais comum do que o das costelas. A
endocardite é rara e pode representar contaminação a partir de ato
cirúrgico cardíaco ou disseminação hematogênica. Nos pássaros pode
surgir ascite (barriga d’água) determinada pela insuficiência
cardiopulmonar devida às tromboses dos vasos pulmonares ou peritonite.
Os granulomas também podem ser encontrados no fígado, vísceras
abdominais, músculos cardíacos e rins.
A suspeita clínica deve surgir diante de pássaro que se apresenta
emagrecido, com dificuldade para respirar e para pousar no poleiro
acompanhados ou não por fezes amolecidas e regurgitação dos alimentos,
modificações da vocalização, corrimento nasal e hemoptise. Se o
profissional não pensar na aspergilose e não a colocar no rol dos
diagnósticos diferenciais dificilmente conseguirá sucesso diagnóstico.
O isolamento do fungo no esputo ou no fluido do lavado bronco alveolar
sugere colonização ou mesmo infecção. O RX simples do tórax é capaz de
revelar as bolas de hifas nas cavidades. A IgG (imunoglobulina G)
para antígenos de Aspergillus encontrados no sangue é achado
importante. A invasão de seios paranasais, brônquios, nariz, pulmões
ou outros locais de disseminação poderão exigir o exame de material
colhido por biópsias. A cultura poderá favorecer a identificação da
espécie de Aspergillus e a diferenciação com a Pseudallescheríase é
importante porque os tratamentos são diferentes.
O papel importante dos
criadores, como em todos os controles de parasitas, é tomar as medidas
higiênicas para evitar que o fungo apareça e tome assento nos
criadouros:
-Manter os pássaros bem
nutridos porque a desnutrição diminui a resistência da mucosa e de
todo o organismo aos parasitas. E não é só a desnutrição
calórico-proteica em sua dimensão máxima visível, mas também a
desnutrição ocasionada pela falta na dieta de micro elementos e/ou
elementos traços, caracterizando a fome oculta. Embora geralmente não
ocasione quadros clínicos chamativos, a fome oculta provoca problemas
metabólicos seríssimos aos animais. Isso mostra a importância de não
só dar alimentos aos pássaros, mas de propiciar a eles todos os
nutrientes necessários em doses e balanceamentos adequados;
-Os fungos gostam da
umidade. Portanto, ambientes úmidos e escuros, sem ventilação, são
convites aos bolores e leveduras. Cuidado especial com as camas de
pássaros que nidificam em caixotes, cabaças ou outros ambientes
fechados, como os canários-da-terra, pois, favorecem a umidade do
ambiente, o calor, a ventilação insuficiente e a baixa luminosidade,
fatores ideais para o desenvolvimento de fungos.;
-Muito cuidado com validade e estocagem dos alimentos e com a
manutenção deles por muito tempo nos cochos ou outros vasilhames.
As aves aquáticas podem ser contaminadas ao ingerir semente úmidas,
como as do milho.
Cuidado extremo com as sementes lavadas, para que enxuguem bem, e com
as sementes germinadas;
-Evitar estresses, outro
fator para a diminuição da resistência. Ambientes barulhentos e
iluminados à noite, gaiolas muito pequenas e a superpopulação (as
Chinas aladas) estão entre os mais comuns. Muito comum o passarinheiro
dar muita importância para o aspecto externo da gaiola, satisfazendo o
seu ego com as belezuras que fica bolando, deixando de lado o maior
interesse que é a área disponível para a movimentação do pássaro;
-Higiene das gaiolas.
Gaiolas e poleiros imundos, o que não é muito difícil de serem vistos,
favorecem muito o surgimento dos fungos. Extremo cuidado com o piso
dos viveiros, principalmente o feito de terra;
-Usar os antibióticos,
principalmente os de largo espectro, somente com a indicação de
profissional habilitado após o diagnóstico correto e a indicação
precisa. Esse negócio de ficar atirando a torto e a direito, tentando
cercar os parasitas por adivinhação, jamais foi boa prática médica.
Creio ser esse o maior erro cometido pelos passarinheiros com as suas
aves. O desequilíbrio da flora e a criação de bactérias resistentes
com toda certeza estão entre as principais causas das altas
mortalidades encontradas nos criadouros, principalmente entre os
filhotes. Isso, aliado à desnutrição, torna inviável qualquer projeto
de boa criação de pássaros. Os antibióticos não só desequilibram a
flora intestinal e criam patógenos resistentes como diminuem as
defesas da mucosa intestinal e modificam o seu metabolismo, fatores
que favorecem não somente a Candida como outros fungos, como o
Aspergillus e o Cryptococcus;
-Nos casos específicos do
Aspergillus e do Cryptococcus evitar o uso de material orgânico nos
ninhos e camas. Os ninhos e as camas (fios de sisal, palha) úmidos
favorecem o aparecimento do fungo e a contaminação dos filhotes;
-Não descuidar da quarentena
à qual devem ser submetidos todos os pássaros que chegam ao criadouro,
inclusive aqueles que vão aos torneios, o que, facilita muito o
trânsito de fungos, bactérias e vírus;
-Cuidado intensivo das mãos
de quem mexe com os pássaros. As mãos estão entre os maiores
veiculadores de parasitas;
-Manter isolamento total do
pássaro acometido por micoses.