Nesta época de cuidados redobrados que é a criação,
é necessário um esforço maior por parte do criador, em observar e
descobrir nos seus canários o jeito de alimentar da melhor forma os
casais eleitos para este fim. Assim depois do ensaio da 1ª postura
devem os casais estarem "afinados", para que as 2 próximas ninhadas
tenham o êxito esperado.
Podemos observar na natureza que, em meados de
Fevereiro, normalmente, as sementes que, os fringilídios, aparentados
com os canários, tem à disposição estão a germinar, as larvas
despertam do seu sono e há maior tempo de luminosidade. Isto despoleta
toda a função reprodutiva das nossas aves mesmo espécies que não sejam
indígenas. Os factores luz, alimentação, humidade são pois decisivos
para o arranque.
Começo a preparar os casais em finais de Janeiro
aumentando gradualmente a variedade alimentar assim como controlando,
dentro das possibilidades, a humidade tentando não baixar dos 50% nem
passar dos 65% de humidade relativa. Quanto à luminosidade, como o meu
canaril é virado a nascente, não tenho necessidade de luz artificial e
pessoalmente acho que o espectro solar é suficientemente complexo e
determinante para bons resultados. Não esqueçamos que a maior parte
das aves distingue cores invisíveis para nós humanos. Lembro que,
quando muitas vezes durante o nascer do sol e também ao poente, vemos
os pássaros debicando as penas na zona do uropígio, sinal que
estimulam as glândulas responsáveis pela absorção do cálcio no
organismo. É frequente as fêmeas tomarem esta atitude desde a ovulação
até pouco tempo antes de porem o 1º ovo.
Em meados de Fevereiro e durante Março, na minha
zona, Benavente, a alimentação na natureza por exemplo dos serzinos e
lugres, é quase exclusivamente feita de vagens semi-maduras de
brassicas nigras, amarelas e brancas, algumas crucíferas e
insectos. Penso que, ao observar estas aves na obtenção de comida
existente nesta época em abundância, ao criar os meus canários e
tentando obter os melhores resultados, não poderei esquecer todas
estas condicionantes. Estabeleço então regras que se vão enriquecendo
com o passar dos anos e que têm resultado.
As sementes brancas como a alpista, milho-alvo
branco, milho-alvo amarelo, milho-alvo vermelho, milho painço e a
aveia descascada. As proporções são de, 5 de alpista para 1 de cada
outra semente branca, Esta mistura é a base da alimentação dos meus
canários. A papa de cria húmida com um suplemento proteico segundo a
posologia da marca, probiótico também na dosagem recomendada pela
marca, um antibiótico próprio para as crias (Tabernil cria), alho em
pó, 50g para 3 kg de papa e para os canários melânicos um preparado de
algas o (Algavit da Orlux). E finalmente a base na alimentação dos
filhotes, as sementes germinadas. Fonte, além do mais, de
alfatocoferol (Vitamina E) e de proteína vegetal.
Quando junto o casal proporciono todos estes
alimentos de uma forma relativamente racionada para evitar que eles
engordem. Acho que há necessidade de uma dieta variada que estimule a
reprodução. Quando do 1º ovo e durante toda a incubação apenas dou
alpista. Dois dias antes do nascimento aí junto a aveia, papa de cria
e sementes germinadas tudo em comedouros individuais.
Com as sementes germinadas tenho o cuidado de
lavá-las abundantemente com água escorrendo-as muito bem.
Posteriormente deito-as num recipiente de plástico e junto água cerca
de ½ litro para 250g de sementes à qual foi adicionada 1 ml de
hipoclorito por cada litro de água. Ponho o recipiente com as sementes
dentro de um saco de plástico fecho e ponho ao ar livre à sombra. No
outro dia as sementes estão inchadas prontas para serem utilizadas.
Quando sobram sementes guardo-as imediatamente no frigorífico, as
sementes podem ficar no frigorífico, depois de muito bem escorridas
cerca de duas semanas, sem haver alteração de temperatura. Esta deve
rondar os 0 graus podendo oscilar um pouco sem haver problema. Se
ainda sobrarem deito fora, pois os riscos de doenças provocadas pelo
germinado, como fungos, bolores, salmonelas, candidaes, etc., etc. são
fatais para os filhotes. Embora trabalhe durante todo o ano com as
sementes germinadas sei que, pelo menos todos os dias, tenho que as
renovar para além dos seus recipientes que serão substituídos por
outros, ficando imersos em água com lixívia, não correndo riscos.
Quando os filhotes são separados dos pais tenho o
cuidado de lhes fornecer a mesma alimentação com que os pais os
alimentaram até então. Nesta fase utilizo três pequenas tigelas de
barro vidrado. Uma com grit, outra com alpista e aveia descascada
misturadas e outro com a papa de cria, sementes germinadas, um pouco
de aveia e também de alpista. À parte e em comedouros (chamados de
vitamineiros pelo seu reduzido tamanho) forneço sementes germinadas.
Aquando da separação, a alimentação tem que ser
substituída, muito lentamente, pela alimentação que dará lugar à
alimentação própria para a muda. A alimentação da muda será a
consequência da alimentação na criação e penso que tem significado
logo após o "desmame" da alimentação da criação.
04/04/2005
Manuel João Ferreira Múrias